quarta-feira, 23 de maio de 2012

Sonhadora


Por vezes ser sonhadora não traz nada de bom. Os sonhos transformam-se em fantasias e como todos, eu acabo por tentar segui-los mas não são reais e por isso perco-me. E quando dou por isso fico presa ao sonho que deixou fragmentos de sentimentos no corpo adormecido. Fico presa a mais uma mentira. E o pior é quando grito: CHEGA! É aí que conheço a verdadeira substância de tudo. Quando obtenho o conhecimento sou obrigada a confrontá-lo com a realidade. E isso, para um sonhador, é o pior de todas as punições. É uma dor tão esmagadora que os sonhos acabam por ser o único refúgio. A realidade apenas representa dor, e mais que tudo solidão. Não é propriamente algo cativante.
                Nos sonhos as cores são tão vividas, é tudo tão mais fácil. Torna-se difícil, senão impossível, não preferir o sonho á realidade. E quanto mais presa estou ao outro mundo maior é a solidão sentida. É parecido com um jogo que têm mais ar de suicida do que de alegria propriamente dita. De qualquer das maneiras um verdadeiro sonhador, sonha sem limites mesmo que isso possa trazer dor. Um sonhador é muito mais que sonhos e dor, é poesia do vento.

sábado, 5 de maio de 2012

Robot Pain

I don't need you,
Why are you in my chest?
Tell me.
When all you do is feel?
I don't want to feel!
Pain, happiness, craziness...
Why do we have feelings?
Feelings!
Why do we have them?
Tell me!
"Feelings make you greater."
Yeah, greater my ass.
Kings had feelings and they all died,
From people’s hatred.
Nice way of dying.
(Not.)
I wish I was a Robot.
No feelings, no pain,
How great would that be?

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Regato

Ainda sinto o vento frio de inverno rasgar-me a cara, o chão ainda recebe as minhas passadas por mais pesadas que sejam. É como se andasse mas não fosse a lado nenhum. Não tenho o controlo sobre os músculos que se entranham na pele, e quando dou por mim já o cântaro se dirigiu ao riacho. É inevitável. A cara pálida que só encontrou uma única expressão parece vazia, um fantasma do que foi deixado para trás. Olho e caminho mas perco-me em pensamentos. O mundo é vago, sem cores, sem cheiros. Toda a gente sorri e conversa sobre assuntos divertidos, enquanto o que resta de mim simplesmente observa. Não me enquadro. O que os meus olhos opacos conseguem ver são formas destorcidas, fantasmas. Criaturas perfeitas que me olham com espectativa continuada. Por fim consigo traçar uma linha nos lábios e tudo fica bem. Quero andar, correr até ter os pés em sangue. Quero sair daqui! Presa estou, num jogo de xadrez á espera da próxima jogada. Espera demorada que nunca se vê acabada. Sinto-me exausta. Do aeroporto até aqui nada mudou, a criatura assustada ainda corre nas veias deste corpo magoado. Queria nega-lo mas é como se a história se repetisse. Chego a pensar que nunca se curou o veneno que percorre a alma. O veneno apenas continua vivo, e não deixou o recipiente tal como eu pensara que deixasse. Alguma vez conseguirei deitar este frasco fora? Alguma vez serei verdadeiramente eu, sem máscaras ou sentimentos escondidos? Onde está o antidoto para este bicho que me consome a carne? Será possível invocar as parcas? E na dúvida fico no meio do regato.

domingo, 1 de abril de 2012

Cofre

Num prado,
De espirito livre,
Anseio o tempo parado.

Algo guardado,
Tão belo de perigo,
Num cofre que exala.

Ele que reina no profundo,
Onde os medos se encontram,
Disparando salpicos de terror.

A alma corajosa que teme,
Aquele que protege,
E o guia assustadiço.

Eu aqui os espero,
No prado onde o vento,
É parado.

Onde sufoco pelo ar,
Que é somente exalado.